FSA E SUAS AVES

   Diante da pressão sofrida, o meio ambiente tem incrível capacidade de regeneração e recuperação contra eventuais impactos, sejam eles naturais ou antropogênicos. Não obstante, os impactos de natureza antropogênico são cada vez mais nocivos aos ecossistemas, não dando chance nem tempo para a regeneração do meio ambiente.
   A exemplo de toda e qualquer área verde localizada próximo às cidades, o próprio campus do Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA) não passou ileso ao processo de urbanização desordenado e redução da mata nativa em que a região da instituição sofreu no início do século passado.
  No entanto, as aves possuem incrível capacidade de superação. Colonizam, se estabelecem e se adaptam bravamente paisagens urbanas alteradas e, apesar de todas as condições adversas, chamam a atenção pela riqueza e diversidade de espécies. O campus do Centro Universitário Fundação Santo André, embora tenha passado por um processo de modificação ambiental, dispõe de uma área relativamente grande e integra aspectos naturais e urbanos em um ambiente agradável, oferecendo refúgio a diversas espécies de aves, colaborando para a riqueza da avifauna da região. Situado no munícipio de Santo André, SP, Brasil, nas coordenadas 23°39’42″S e 46°33’17″W, a faculdade possui seu campus instalado no bairro Vila Príncipe de Gales, na região denominada Grande ABC, e conta com um razoável fragmento de área verde, cuja importância para toda a avifauna da região é nítida.
   O campus oferece flora e fauna relacionando-se, o que favorece as mais diversas necessidades das aves, pois é através dos recursos alimentares, locais para nidificação e refúgio disponíveis que as aves podem se estabelecer. Principalmente, quando tratamos de áreas urbanizadas e alteradas pela ação antropogênica, onde temos constantemente modificações ambientais.
   Almeja-se por objetivo que este guia virtual possa oferecer informações que sirvam de base não só para aqueles que são amantes deste mundo de cantos, cores e formas, mas também para aqueles que lutam em pró do meio ambiente e toda a diversidade de aves correlacionada. Aliar o processo de desenvolvimento com o de conscientização ambiental é um desafio enorme, mas não impossível. Se batalhada firmemente a questão ambiental vai muito além da conservação das espécies e recursos naturais: melhora a qualidade de vida populacional e abre novos horizontes e perspectivas quanto ao futuro das novas gerações, de todas as espécies viventes e de toda a humanidade.
  A idealização deste guia virtual é justificável na medida em que é possível conhecer as inúmeras espécies de aves que no local residem, visitam ou frequentam sazonalmente. Para isso, por convenção, adotou-se neste presente guia status de ocorrência das espécies no interior do campus da instituição, de maneira que as legendas são:

○ = espécie super-rara;

● = espécie rara e de difícil observação no campus;

●● = espécie pouco comum no campus;

●●● = espécie comum e de fácil observação no campus;

●●●● = espécie muito comum e numerosa no campus;

   Por fim, ao longo deste guia virtual é possível visualizar fichas de 64 espécies de aves registradas durante os trabalhos de observação em campo, pertencentes a 55 gêneros, 30 famílias e 14 ordens, cujas fichas contendo informações e curiosidades estão presentes neste blog.
Cauê Rosetto Reis
Rafael Leme de Almeida
Alunos do 4° ano de Ciências Biológicas (2012).
Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

GAVIÃO-CARIJÓ

NOME POPULAR: Gavião-carijó
NOME EM INGLÊS: Roadside Hawk
NOME CIENTÍFICO: Rupornis magnirostris (Gmelin, 1788)
FAMÍLIA: Accipitridae (Vigors, 1824)

Fotografia: Cauê Rosetto Reis (2011)

CARACTERÍSTICAS: Olho amarelo, de longe parecendo branco; cera amarelo-viva; perna amarela. Na maior parte, o adulto é cinza-amarrronzado por cima, garganta e papo algo mais claros, este às vezes com algum ferrugíneo; peito e barriga barrados de pardo e cinza-ferrugíneo. Cauda com faixas cinzentas e pretas. O individuo imaturo é parecido, mas tem peito rajado e mais marrom. Em voo, apresenta-se barrado cinza sobre as asas, primárias ferrugíneas (ocultas na ave pousada). Nenhum outro gavião de silhueta semelhante tem ferrugem na asa. Pousa em locais expostos e costuma abanar a cauda para os lados; pode permitir grande aproximação. Em voo, intercala batidas de asa curtas e rápidas com planeios curtos. Às vezes plana alto, circulando com urubus em correntes térmicas. É um dos gaviões que mais vocalizam. Pousado, dá um grito de alarme agudo e anasalado, descendente, “kiiiééé”, que lembra o grito do carrapateiro (Milvago chimachima); em voo (às vezes pousado), dá uma série rápida de notas anasaladas “ké”.

TAMANHO: 33-38 cm

HABITAT: De ocorrência ampla em borda de mata e capoeira, e em qualquer ambiente aberto com árvores, inclusive cidades.

ALIMENTAÇÃO: Alimenta-se de artrópodes, peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Como método de caça de vertebrados, o gavião-carijó mata a presa através da pressão dos dedos munidos de fortes garras.

REPRODUÇÃO: Constroem o ninho, que mede cerca de 46 cm de diâmetro por 36 cm de profundidade, geralmente no topo de uma árvore, entre dois galhos verticais, com pedaços de madeira grossos e secos. O fundo do ninho, onde repousam os ovos, é revestido de folhas secas. Os dois ovos, esbranquiçados com manchas pardas, que medem 49 x 38 mm, são incubados pela fêmea. Durante o período de incubação, a fêmea é alimentada, durante o dia, pelo macho. Os filhotes, cobertos por uma penugem rala e de olhos abertas, nascem inteiramente dependentes dos pais.

STATUS NO CAMPUS:

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

GAVIÃO-MIÚDO

NOME POPULAR: Gavião-miúdo
NOME EM INGLÊS: Sharp-shinned Hawk
NOME CIENTÍFICO: Accipter striatus (Vieillot, 1808)
FAMÍLIA: Accipitridae (Vigors, 1824)

Fotografia: Cauê Rosetto Reis (2011)

CARACTERÍSTICAS: Olho amarelo. Adulto com face e coxas ferrugíneas, partes superiores cinza-ardósia; cauda escura com 3-4 faixas cinza-escuras. Por baixo, apresenta-se branco com barrado ferrugíneo de densidade variável, crisso branco. O indivíduo imaturo é marrom por cima, e possui penas com leve orlado ferrugíneo; por baixo, é branco sujo com barrado e estriado marrom de densidade variável. Agressivo, voa rápido entre a folhagem densa para capturar aves; pode ser bem ousado. Às vezes plana. Em geral silencioso; sobretudo na época de cria, o macho pode dar uma série longa de notas suaves, ‘’pi-pi-pi-pi-pi’’.

TAMANHO: 25-30 cm

HABITAT: Vivem em florestas e matas. Apesar de viver oculto nas matas e bosques, voa abertamente de uma mata a outra.

ALIMENTAÇÃO: Apesar de pequeno, não hesita em atacar uma presa maior, pássaros são sua dieta habitual, caça a partir de um poleiro. É bastante ágil, pode perseguir sua presa voando entre as árvores.

REPRODUÇÃO: Botam de 2 a 5 ovos, o período de incubação é de 30 a 35 dias.

STATUS NO CAMPUS:

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

IRERÊ

NOME POPULAR: Irerê
NOME EM INGLÊS: White-faced Whistling-Duck
NOME CIENTÍFICO: Dendrocygna viduata (Linnaeus, 1766)
FAMÍLIA: Anatidae (Leach, 1820)

Fotografia: Cauê Rosetto Reis (2011)

CARACTERÍSTICAS: Bico e pernas cinza-escuros. Face e garganta brancas (às vezes sujas de terra, mas mesmo assim distinguíveis) contrastando com o negro do resto da cabeça e pescoço; por cima, marrom rajado com pardo. Papo e peito de um marrom-ferrugíneo vivo, flancos com finas estrias pretas e brancas, meio da barriga preto. Em voo, apresenta asas e cauda escuras. Prefere áreas abertas. Costuma permanecer pousado à beira d’água, numa postura alerta; em geral em bandos, que podem ter centenas de aves, às vezes junto com outras espécies do mesmo gênero. Alimenta-se em brejos, alagados e água rasa. O chamado mais frequente, que inspirou o nome popular, é um assobio agudo, “I-re-rê”, dando em voo; pode ser ouvido também de noite, até sobre cidades.

TAMANHO: 43-48 cm

HABITAT: De ocorrência ampla, comum em brejos e à beira de baías e lagoas.

ALIMENTAÇÃO: Brotos vegetais, folhas, sementes e alguns invertebrados que fornecem uma fonte proteica. A água e a lama coletadas junto ao alimento são filtrados através do serrilhado do bico.

REPRODUÇÃO: Põem 8 a 14 ovos diretamente no solo, em locais protegidos; eventualmente utilizam-se de ninhos em árvores, abandonados por outras aves. Os ovos são brancos, esverdeados ou azulados, medindo 47 x 37 mm e incubados pelo casal durante 28 a 30 dias. Muitas vezes o macho participa por mais tempo do que a fêmea da incubação e ambos possuem cuidado parental.

STATUS NO CAMPUS:

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

GARÇA-BRANCA-GRANDE

NOME POPULAR: Garça-branca-grande
NOME EM INGLÊS: Great Egret
NOME CIENTÍFICO: Ardea alba (Linnaeus, 1758)
FAMÍLIA: Ardeidae (Leach, 1820)

Fotografia: Cauê Rosetto Reis (2012)

CARACTERISTICAS: Olho amarelo, bico amarelo-vivo, loros verde-amarelados, pernas pretas. Adulto branco. Na reprodução, loros mais verdes, aigrettes longas e etéreas nas costas e na frente do pescoço. O indivíduo jovem possui bico amarelo com ponta escura. Possui porte grande, esguia, de pescoço muito longo. Seu voo é tranquilo, com batidas de asas amplas e pausadas. Aninha em ninhais, frequentemente com outras garças. Em geral quieta, ao assustar-se voa com um ‘’ãhhrrr’’ grave e gutural, como fazem as Egretta. No ninhal, costuma produzir um som semelhante ao grunhido de um porco.

TAMANHO: 91-99 cm

HABITAT: Vive em grupo de vários animais à beira de rios, lagos e banhados.

ALIMENTAÇÃO: Alimenta-se principalmente de peixes, podendo consumir pequenos roedores, anfíbios, répteis e insetos. Aproxima-se sorrateiramente com o corpo abaixado e o pescoço recolhido e bica seu alimento, esticando seu longo pescoço.

REPRODUÇÃO: Constroem ninho em ninhais que podem ter milhares de indivíduos de várias espécies de aves aquáticas. Os ninhos são construídos em uma plataforma de galhos secos sobre uma árvore, geralmente próxima à água e a alguns metros do solo. Os ovos de coloração esverdeados ou verde-azulados possuem grande diâmetro. O casal incuba os ovos durante 25 a 26 dias e, quando nascem os filhotes, que são nidícolas, fornece-lhes alimento regurgitado. Na época de reprodução os indivíduos de ambos os sexos apresentam longas penas no dorso chamadas egretas.

STATUS NO CAMPUS:

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

SOCOZINHO

NOME POPULAR: Socozinho
NOME EM INGLÊS: Striated Heron
NOME CIENTÍFICO: Butorides striata (Linnaeus, 1758)
FAMÍLIA: Ardeidae (Leach, 1820)

Fotografia: Cauê Rosetto Reis (2011)

CARACTERÍSTICAS: Pequeno, atarracado, com pernas curtas, amareladas. O indivíduo adulto possui coroa e crista pretas; por cima, preto-esverdeado com penas da asa orladas de pardo. Lados da cabeça, pescoço e peito cinzentos, com uma faixa branca orlada de castanho descendo garganta abaixo; barriga cinza-clara. O indivíduo imaturo possui coroa estriada; amarronzado por cima; estrias marrons por baixo. Em geral é solitário, embora nos locais onde é numeroso pode ser visto em grupos. Espreita de poleiros logo acima da água, pegando presas com botes rápidos. Quando agitado, move a cauda para os lados e eriça a crista. Aninha sozinho ou em grupos pequenos, mas não com outras garças. Ao assustar-se, foge com um “kiau!” irritado.

TAMANHO: 38-43 cm

HABITAT: Comum, de ocorrência ampla em brejos e à beira d’água; habita inclusive lagões em parques urbanos.

ALIMENTAÇÃO: Peixes, anfíbios, pequenos répteis e invertebrados capturados dentro d’água. Como técnica de pesca, fica parado à espreita, equilibrando-se num galho a baixa altura, próximo da borda d’água; inclina-se para frente até o bico encostar na água e nesse momento apanha a presa.

REPRODUÇÃO: Constroem uma plataforma de galhos finos e grossos, colocada numa árvore, 5 a 10 mm do solo. Neste ninho, a fêmea põe 3 ou 4 ovos verde-pálidos ou azuis, medindo 38 x 29 mm. O período de incubação é de 21 a 23 dias.

STATUS NO CAMPUS:

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

URUBU-DE-CABEÇA-PRETA

NOME POPULAR: Urubu-de-cabeça-preta
NOME EM INGLÊS: Black Vulture
NOME CIENTÍFICO: Coragyps atratus (Bechstein, 1793)
FAMÍLIA: Cathartidae (Lafresnaye, 1839)

Fotografia: Cauê Rosetto Reis (2012)

CARACTERÍSTICAS: Cabeça e pescoço nus, cinza-escuros. Plumagem negro-fosco. Em voo, asas largas e longas, cauda curta; a base esbranquiçada das primárias forma uma mancha clara na asa, visível por baixo e por cima. Pernoita em grandes grupos, pousado em árvores. Em cidades, aninha no alto de prédios.

TAMANHO: 56-63 cm

HABITAT: Abundante, de ocorrência ampla, é frequente em qualquer ambiente aberto, é o urubu mais comum na proximidade humana (sobretudo em lixões), mas é escasso em matas.

ALIMENTAÇÃO: Alimenta-se de restos e carniças, mas pode capturar presas vivos, como filhotes de outros animais.

REPRODUÇÃO: Constroem o ninho no solo, entre vegetação densa ou espinhosa, podendo utilizar cavidades sob rochas ou árvores, raramente a mais de 50 cm de altura. Os 2 ovos, que medem 67 x 50 mm, são de cor cinza ou verde-pálida, com larga mancha marrom e listas negras num dos pólos e mancha marrom, em forma de lágrima, no outro. O casal incuba os ovos, durante 32 a 39 dias e quando nascem os filhotes regurgita-lhes o alimento liquefeito, de odor desagradável. O filhote ao nascer apresenta uma penugem amarelada e o bico reto colorido de azul-escuro; após 3 semanas sua cor é branco-rosada, com uma estreita faixa negra circundando a cabeça e as pernas são azuladas; um mês depois, com o tamanho de uma galinha, sua plumagem é castanho-clara, mostrando algumas penas negras. Aos 2 meses, já com a plumagem e o bico negros, tem a pele do pescoço lisa, sem as proeminências transversais e rugosas da ave adulta. O primeiro voo dá-se com cerca de 11 semanas de vida.

STATUS NO CAMPUS: ●●●

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário